AVE CHEIA DE GRAÇA E MEDIANEIRA


        No dia sete de outubro, a Igreja celebra a festa do Santo Rosário. Nas linhas que seguem, desejo focar a oração do Rosário (ou Terço de Nossa Senhora) em nossas vidas, mostrando Maria Santíssima como Medianeira por ser a Cheia de Graça.
          É muito comum, em nossos dias, encontrarmos fiéis que manifestam com muita fé o seu amor a Maria. Em nossa Diocese, em todas as paróquias - até mesmo as que não têm Maria como padroeira-, com muito zelo, se organizam grupos de homens que têm por finalidade evangelizar as famílias através da reza do Terço. Graças a Deus, é crescente o despertar entre o sexo masculino da necessidade de evangelizar. Claro que também reconhecemos o empenho de grupos diversos que estão envolvidos na evangelização através da espiritualidade mariana, a saber: a Legião de Maria, o Apostolado da Mãe Rainha, Mulheres do Terço e outros.
          O Terço é uma devoção que jamais será esquecida pelos católicos. No dizer do Papa Leão XIII, “o Terço é a oração que desejamos ver sempre mais largamente propagada e tornar-se devoção verdadeiramente popular de todos os lugares, de todos os dias”. A recitação do Terço é recomendada a todos os fieis, pois se trata de um valor inestimável para o povo. Na verdade, quando rezamos o Terço juntamos as duas orações mais caras a Deus, o Pai-Nosso - ensinado pelo próprio Jesus - e a Ave-Maria, que saiu da boca do Arcanjo São Gabriel, o mensageiro de Deus, em louvor a Maria Santíssima, sem esquecer da participação de Isabel no encontro com a Mãe do Salvador. A Igreja reconhece essas palavras tiradas da Bíblia e, no decorrer dos séculos, vem incentivando os fiéis para que as repitam sempre como oração dirigida a Deus.
            Na oração do Terço, nós contamos com a Mediação da Virgem Santíssima. Quem nos ajuda a entender a esta materna mediação é o Concílio Vaticano II. A Constituição Dogmática “Lumen Gentium”, que deu relevo especial ao papel de Maria na Obra da Redenção e santificação, apresenta Nossa Senhora como Serva do Senhor, que em tudo foi subordinada a Ele, fazendo questão de salientar assim, a Mediação única e universal de Cristo Jesus: “Um só é o nosso Mediador segundo as palavras do Apóstolo: “Porque um só é Deus, também há um só Mediador entre Deus e o homem, o homem Cristo Jesus, que se entregou para redenção de todos” (1 Tm 2,5-6; cf. LG 60)”. Se é dessa forma, como se dá a Mediação de Maria Santíssima?
          O próprio Concílio acentuou que a cooperação e a mediação subordinadas de Maria, como das demais criaturas, na economia salvífica, dimanam da única Fonte de Mediação, que é o Salvador Jesus: “Com efeito, nenhuma criatura jamais pode ser colocada no mesmo plano do Verbo Encarnado e Redentor. Mas como o sacerdócio de Cristo é participado de vários modos seja pelos ministros seja pelo povo fiel, e como a indivisa bondade de Deus é realmente difundida nas criaturas de modos diversos, assim também a única mediação do redentor não exclui, mas suscita nas criaturas uma variada cooperação que participa de uma única fonte”. (LG 62).  Entendendo: Cristo é Mediador por direito de justiça, porque é Deus. Maria é medianeira por graça, concessão divina; sua mediação provém dos méritos infinitos do Redentor, se baseia na Dele, dele depende e aufere a força (cf. LG 60).
          O sentido da nossa fé em Maria está por ela ser a “Mãe sublime do Redentor, singularmente mais que os outros sua companheira e humilde serva” (LG 61); depois de afirmar que “Ela concebeu, gerou, nutriu o Cristo, apresentou-O ao Pai no Templo, sofreu com o Filho que morria na Cruz, cooperou de maneira singular na obra do Salvador, mediante a obediência, a fé, a esperança e a ardente caridade, para restaurar a vida sobrenatural das almas, tornando-se assim Mãe nossa na ordem da graça" (LG 61). Por isso, a Santíssima Virgem é invocada na Igreja com os títulos de Advogada, Auxiliadora, Medianeira (cf. LG 62).
          Após ter mostrado resumidamente que a Virgem é Medianeira, vejamos algumas afirmações importantes em relação ao Terço de Nossa Senhora ditas por alguns papas: “Pelo Terço todos os dias desce uma chuva de bênçãos sobre o povo cristão” (Papa Urbano IV); “Que oração oportuna para honrar a Deus e a Virgem, como afastar pra bem longe os eminentes perigos do mundo”. (Papa Sixto IV). “Propagando-se esta devoção, os cristãos entregues à meditação dos mistérios inflamados por esta oração, começarão a transformarem-se em outros homens, as trevas das heresias dissipar-se-ão e difundir-se-á a luz da fé católica” (Papa São Pio V). “Recitamos, se possível, todos os dias, o Santo Terço, tanto sozinhos como em comunidade. O Terço é uma oração simples, mas profunda e muito eficaz, também para implorar graças em favor das famílias, das comunidades e de todo mundo”. (São João Paulo II). A mesma Virgem Maria, nas suas aparições em Lourdes e em Fátima, também recomenda a récita do Terço. Em 1917, aos pastorinhos de Fátima, e a partir deles a toda cristandade, disse: "Rezai o Terço todos os dias para alcançar a paz no mundo".
          Meu desejo, prezados leitores, é que a Virgem Mãe de Deus e nossa, indicando o recurso da oração do Santo Terço, nos anime, nos alente, estimule, nos transmita energia e muita fé. Como Maria, sejamos autênticos em nossa vida de cristãos pela prática da oração.


DOM DULCÊNIO FONTES DE MATOS

Bispo da Diocese de Palmeira dos Índios.

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